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Olá

Escrevo do trem em direção a Heiloo. Uma criança, no banco de trás, não para de falar e isso começa a me irritar, mas vamos em frente porque já estou em dívida com vocês e não posso e não quero parar. Não postei nada na semana passada,  estava completamente busy e tive uma crise de stress que, ao passo que me chateou bastante, serviu para me organizar por dentro. Toda vez que essas coisas acontecem, eu preciso de um tempinho pra voltar ao normal. Bom, começo então contando o que eu fiz nesses meus dias pós-rebeldia e o que mais curti de ver ou fazer. Parei tudo por um longo final de semana que incluiu, por aqui, 2 dias de Páscoa. Isso mesmo. Aqui existe também a segunda-feira de Páscoa, o que não é nada mal para nós. Primeiro fui a uma exposição perto de casa, num lugar que apelidamos jocosamente de "Sesc Pompeia holandês" chamado De Hallen, no coração do West, em Amsterdam. Não lembro o nome do artista agora e estou sem o folder dele no momento. O fato é que gostei bastante, o que nem sempre acontece comigo quando se trata de arte holandesa. Basicamente era um mixed media de boa qualidade. O mais curioso dessa expo é que os visitantes são convidados a escrever num post it o que acharam das obras e colarem na parede. É quase uma forma artesanal de Instagram e só por essa sacada já saí de lá com o espírito mais leve. Fiz compras de mercado na redondeza e voltei pra casa pra começar uma maratona de filmes que começou com um bem interessante chamado "O Monstro no Armário". Me perdoem não saber os dados técnicos todos para citá-los aqui, sei que é um filme canadense de um jovem diretor e roteirista chamado Stephen Dunn e ele finalizou esta masterpiece, em 2015. Se não me engano esteve, no Festival do Rio, do ano passado. O que nos interessa mesmo é a história dele que, só de me lembrar agora, ainda me sinto impactado. Chega de suspense! Pausa para um gole do meu capuccino e o último pedaço do meu maffin de chocolate. Nhac! A criança-mini-adulto continua falando pelos cotovelos. A Holanda tem essa maldade: as crianças, apesar de lindas, parecem adultas de tão chatinhas. Ou os pais as transformam em monstrinhos, já não sei. Voltando... O filme é um drama alegórico, muito bem escrito, que mostra todo um lado intimista por trás de uma mente criativa e inquieta. É o geralzão, mas, claro, que é muito mais que isso. Fala de builling, de homofobia, de sonhos, frustrações e arte! Oscar Medly é um jovem (bissexual talvez) que vive num mundo conturbado devido a separação dos pais e por ter sido vítima de bullying na infância e conviver com a homofobia do próprio pai. Mora numa cidade do interior e tem um ramster com quem vive conversando. Faz maquiagem artística e vive fotografando a melhor amiga, sonhando um dia ir pra Nova York e de lá ganhar o mundo. Há um flerte com O Apanhador no Campo de Centeio, é inegável. Mas é mais do que isso. Lá pelas tantas, o personagem se envolve com um colega de trabalho e essa mistura de dramas que poderia resultar num filme excessivo só o torna mais interessante. Desde Weekend não tinha visto nada do gênero que fizesse meu coração dar cambalhotas. O foco, no entanto, não é a sexualidade confusa dele, mas uma coisa que é fundamental, eu diria: a investigação de uma mente criativa, com riqueza de detalhes. Por que essas pessoas são tão sensíveis? Que mundo paralelo é este onde elas vivem? Por que são pessoas de espírito tão livre? Esses questionamentos surgem o tempo inteiro e tudo é respondido com imagens bem cuidadas e num texto saboroso. Acho péssimo filme que se leva a sério demais. Não é este o caso de O Monstro no Armário. Os diálogos são leves e as interpretações são excelentes.
Eu poderia escolher diversas cenas, mas vou ficar com apenas uma e já explico o por quê. Depois de tentar uma vaga numa famosa escola de fotografia de Nova York, Oscar é recusado para vaga e isso o enfurece. Ao chegar ao seu quarto, ele começa a destruir tudo que encontra pela frente e pra onde ele olha só vê a palavra infelizmente. Palavra esta escrita diversas vezes na carta que a escola lhe enviou. Achei muito criativa a forma que o diretor encontrou para traduzir o que, geralmente, é muito abstrato. Ou seja: mergulhar nessa atmosfera quase autodestrutiva é muito fácil para o espectador. Eu, particularmente, já vivi esse momento de rejeição na arte, muitas vezes. Nãos de galerias, festivais, pessoas que já me incentivaram a copiar trabalhos de pintores famosos, já passei por tudo isso, mas já conheci o outro lado também. Só o tempo e a maturidade ensinam a lidar com essas frustrações, mas quando se é muito jovem é importante ter pessoas ao lado que não te deixem desistir. Eu me lembro um conselho que o Paulo von Poser me deu, na manhã que antecedia a minha primeira exposição, conselho que eu nunca esqueci: "Tem gente que vai gostar e tem gente que não vai gostar, então relaxe". O personagem não tinha ninguém assim por perto, naquele momento. E você aquilo que você conhece tão de perto e traduzido tão bem é fascinante. Eu adoro este momento. É quando eu me sinto mais feliz. É quando viver faz todo sentido pra mim. E quando o diretor e roteirista do filme curte uma foto sua no instagram? Bem, eu quase surtei de felicidade. Assistam a essa preciosidade e sintam-se livres para comentar o que acharam, por aqui. Mil beijos e até a próxima!!!

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