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Olá

Estou no trem a caminho de Heiloo, numa linda manhã de primavera e aproveito pra colocar o papo em dia. Na semana passada, aconteceram tantas coisas, a maioria ruins, é verdade, mas eu gostaria de comentar uma delas, mesmo assim. Um triste episódio de violência envolvendo um casal gay aqui da Holanda, que estava andando de mãos dadas, numa cidade do interior e que comoveu o país. Os dois foram agredidos por uma turma de mulçumanos, provavelmente, com quase 100% de certeza de serem marroquinos. Não generalizando, mas já generalizando: os únicos que tocam o terror neste país que não está acostumado nem com briga de marido e mulher. Escolhi esse assunto pra debater porque, desde que moro aqui, e lá se vão mais de cinco anos, nunca tinha visto nada assim, há relatos de violência contra gays, claro, mas até então nada que gerasse debates na TV e jornais e que as pessoas comentassem tanto. Aliás, foi notícia até no Brasil. Vou tentar resumir para que vocês entendam. A Holanda foi o primeiro país da Europa (talvez do mundo, não estou certo) a permitir que pessoas do mesmo sexo tivessem seus direitos civis garantidos (ou casamento, como queiram), o próprio país é conhecido por ser bastante liberal (não se enganem, na prática não é bem assim), tem a questão da maconha, etc, bom isso é outro papo, o que eu gostaria de enfatizar é que se supõe que esse tipo de violência não exista por aqui. Ledo engano. Conheci alguns casos e tenho uma amiga que já foi assediada e humilhada por eles no transporte público e, neste final de semana, foi até expulsa de um açougue. Absurdo total. Ou seja, gays e mulheres são alvos constantes deles, num país que a cada dia sede mais e mais espaço pra essa gente, por conta de uma dívida histórica: eles ajudaram a reconstruir o país, depois da segunda guerra. Eu, por exemplo, moro num bairro onde árabes e turcos convivem harmoniosamente, mas quando se trata de gays... Um exemplo bobo, mas não deixa de ser uma curiosidade. Uma vez fui a um Kapsalon (um cabeleireiro), perto de casa, um árabe, expliquei em inglês como eu queria o corte do meu cabelo, ele falou tudo bem e, simplesmente, impôs o corte da cultura deles. Quando percebi, mandei ele parar, paguei e fui embora. Fiquei parecendo um poddle, mas tudo bem. Tive que alisar o cabelo pra consertar a merda que o cara fez, mas não deixei ele fazer o que queria. Provavelmente, ele achava que undercut era coisa de viado. Recentemente, achei um quadro na rua, no meu bairro, onde se lia em inglês "Seja apedrejado ou vaza!". Não duvido nadinha que tenha sido fruto da imaginação doentia desse povo. Só de sacanagem peguei a tela e fiz uma sereia transsexual por cima, com uma cabeleira pink gritante, com um punho fechado, preparada pra luta!
Eu lamento muito isso porque a Holanda tem uma cultura de respeitar a individualidade das pessoas, de não invadir a privacidade de ninguêm, o lema aqui é o seguinte: está em conformidade com a lei?, pagando seus impostos?, então f....-se o resto. Bem isso. Por conta desse triste episódio, empresas como a KLM, políticos e pessoas públicas da Holanda se deixaram fotografar de mãos dadas, em protesto, numa forma romântica deles dizerem: Kiss My Ass, seus babacas. Foi bonitinho?, foi, mas é preciso mais ação. Não tem que aceitar esse tipo de violência, nem aqui e nem em lugar nenhum. Qualquer dia desses, farão o mesmo que fizeram, no Brasil, com aquele travesti chamado Dandara ou a Gisberta, no Porto, em Portugal e tantos outros casos que a gente conhece.
Daí pra desanuviar um pouco, porque tenho trabalhado bastante e em casa, o que significa trabalhar em dobro, resolvi tirar a última sexta à noite para assistir a filmes que há tempos eu estava namorando: Moonlight: sob a luz do luar, A Bela e a Fera, Minha Mãe é Uma Peça 2 e Tamo Junto. Normalmente, só assisto a dramas e quase nunca a filmes comerciais, mas, por morar fora e muitas vezes saindo de uma bad vibe qualquer, quero mesmo apenas relaxar e assistir coisas leves. Porém, dessa minha lista, o único filme que merece a minha indicação é um drama mesmo, Moonlight. Tanto que ganhou o Oscar, mesmo depois daquela cena patética protagonizada pelo Warren Beatty. Assim que terminei de assistir ao La La Land, que concorria com ele, falei pra mim mesmo que aquele filme não ganharia de jeito nenhum. É um filme muito sem graça, com personagens rasos e apenas uma sacada incrível: transformar clichês num musical com cara de vintage. É um filme bom, não posso negar, mas não pra todas aquelas indicações. Comparando com Moonlight, os dois filmes tem até roteiros com estruturas um pouco parecidas, mas o diretor de Moonlight soube tirar melhor proveito do material. Em linhas gerais, o filme conta o drama de um anti-herói negro chamado Chiron. Pobre, gay, vivendo num bairro de Miami cheio de traficantes e garotos selvagens, sofrendo toda sorte de bullying, etc. Ou seja: num mundo completamente sem esperança. Só que, num determinado momento, surge um ponto de luz naquela sua escuridão interior. Numa única cena de contato sexual entre o protagonista e um amiguinho de escola, o roteirista e o diretor transformaram o que poderia ser uma cena tosca e agressiva (sim dois homens se pegando pode ser bem pouco romântico) num ato de pura poesia. Depois ele retoma essa mesma cena num momento decisivo do filme. Uma sacada genial. Mais não digo. Linkando os dois assuntos de hoje, o que posso dizer é o seguinte, tanto aqui, com seus mulçumanos homofóbicos ou no bairro de negros de Miami que inspirou o filme, ou no Brasil, o país que mais mata LGBTs no mundo, não podemos retroceder! Eis a nossa luta. A nossa missão. Cabe a cada um de nós buscar forças, sabe-se lá de onde, e enfrentar essa batalha diária, de cabeça erguida. De mãos dadas, como diz o belo poema de Drummond. Sempre seguindo em frente. Eu tenho muito orgulho de ser quem eu sou e espero que você também. Até a próxima!  

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